sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Reitor da UFU usa EBSERH como plataforma de campanha a reeleição.


Atual reitor da UFU aposta em continuidade de gestão

   
O professor Alfredo Júlio Fernandes Neto vai tentar a reeleição para comandar a universidade por mais quatro anos
O CORREIO de Uberlândia inicia hoje a série de entrevistas com os candidatos que vão concorrer à eleição de reitor e vice-reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que acontecerá nos dias 28 e 29 de agosto. O primeiro entrevistado é o atual reitor da UFU, Alfredo Júlio Fernandes Neto, que, juntamente com o vice Darizon Alves de Andrade, tentará a reeleição para o comando da universidade durante o quadriênio de 2013-2016.
Para se manter no cargo, Alfredo Júlio Neto afirmou ter propostas variadas, distribuídas em oito frentes diferentes, que vão desde fortalecimento da pesquisa e da extensão da UFU, à viabilização do auxílio-creche para servidores. “Nosso foco é ver a Universidade Federal de Uberlândia olhando para o futuro”, disse.
O atual reitor afirmou também ser favorável à entrada da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) na administração do Hospital de Clínicas da UFU. “A Ebserh vem para que possamos tratar com dignidade aqueles que cuidam das pessoas”, afirmou.
A série de entrevistas com os concorrentes à reitoria da UFU será publicada até quinta-feira e segue a ordem alfabética do nome dos candidatos a reitor. Amanhã, o CORREIO publica a entrevista com os professores Elmiro Santos Resende e Eduardo Nunes Guimarães, da chapa “Ética, autonomia e compromisso democrático”.
CORREIO de Uberlândia: Como o senhor avalia estes quatro anos de gestão da UFU? O que foi feito de melhor para a universidade durante este tempo?
Alfredo Júlio Fernandes Neto: O feito maior foi termos implementado o Reuni [Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, programa do Governo Federal]. Assim que assumimos, detectamos uma carência de 160 salas de aula para receber os novos alunos. Tivemos de correr, colocar como prioridades as execuções das obras e as discussões de todos os projetos pedagógicos. Conseguimos contratar novos professores e alteramos toda a estrutura e normas acadêmicas, com discussão e aprovação em conselhos.
Fomos a primeira gestão a construir uma moradia e a fazer um novo restaurante universitário depois de quase 20 anos. Estamos também planejando a construção de um novo restaurante universitário para setembro no campus Santa Mônica e um para o campus de Ituiutaba. Também aprovamos o projeto do campus Glória, que foi muito debatido com a sociedade, além de estarmos recuperando tecnologicamente o Hospital de Clínicas da UFU.
Outro ponto a ser destacado é que, quando começamos a gestão, o campus de Ituiutaba era um buraco, só com as estacas, e hoje ele está inaugurado, com todas as obras finalizadas. Nós levamos também a UFU para Patos de Minas e Monte Carmelo. Agora, são novos desafios com que pretendemos trabalhar.
CORREIO: E quais são esses novos desafios? Quais as propostas para o próximo quadriênio?
Alfredo: Nossa chapa está trabalhando com oito eixos de propostas. Uma delas é o que chamamos de ampliação das fronteiras do conhecimento da universidade. Queremos reforçar a importância regional da UFU e estimular a mobilidade acadêmica dos alunos, tanto nacional, quanto internacionalmente. Dizemos que a UFU não é mais uma universidade de Uberlândia, mas uma universidade federal em Uberlândia.
Outro ponto é o fortalecimento da pesquisa. Não somos mais uma universidade que reproduz ou transmite conhecimento, mas, sim, uma universidade que produz conhecimento e queremos fortalecer esse aspecto. Com a implantação do campus do Glória, temos que começar a repensar a sustentabilidade ambiental e estrutural dos campi Santa Mônica e Umuarama. Estamos pensando em grandes centros de convivência em todos os campi para que possamos concentrar os jovens e que eles possam interagir. Um dos eixos, também, está no apoio à arte, à cultura, ao esporte e à interação com a sociedade. Estamos com propostas para novo centro cultural, queremos oferecer à cidade mais um aparelho cultural.
CORREIO: A evasão de alunos e as vagas ociosas são problemas enfrentados em todas as universidades e, com a UFU, não poderia ser diferente. Principalmente em cursos de licenciatura, a evasão é significativa. Como o senhor pretende enfrentar e amenizar esta questão?
Alfredo: Não podemos, para os cursos de licenciatura, pensar em uma solução simplista, como fechá-los e cancelá-los. Isto jamais. São nestes cursos que formamos os professores, os futuros formadores da juventude. Precisamos insistir e melhorar estes cursos. Agora, o necessário é que o país e a sociedade valorizem mais essas profissões. O jovem, hoje, não quer ser professor em razão da desvalorização da carreira de ensino. O dia que tivermos uma profissão valorizada, logicamente não enfrentaremos o problema de baixa procura. Quando inauguramos o campus Ituiutaba, a adesão era baixa. Readequamos a grade, passamos cursos para o horário noturno, e tivemos a coragem de aderir ao Enem [Exame Nacional de Ensino Médio]. Por que fizemos isto? Porque o nosso foco é o aluno de baixa renda. Para ele, é muito caro ir prestar vestibular em Uberlândia, Ribeirão Preto, Goiânia, porque gera gastos de inscrição, viagem. Com o Enem, a inscrição é única. Hoje, 96% das vagas em Ituiutaba estão preenchidas. Nossa proposta é continuar nestes programas de apoio ao ingresso.
CORREIO: Mas e a permanência do aluno na UFU? Como garantir?
Alfredo: Neste ano, não foram aplicadas todas as bolsas estudantis da UFU. E nós temos critérios, não é porque está sobrando que iremos sair por aí distribuindo. Iremos inaugurar em setembro nossa Moradia Estudantil e quem vai morar lá? Não vai ser o estudante que tem carro, celular, notebook, mas quem realmente precisa. O recurso que vem para a UFU tem de ser gasto com seriedade e transparência para atingir seu objetivo, que é a permanência do aluno de baixa renda.
CORREIO: Também está sendo pensada a ampliação de novos cursos em todos os campi da UFU?
Alfredo: Já está na Pró-reitoria de Graduação a análise para a instalação do curso de Turismo em Uberlândia. Em Ituiutaba, já temos uma lista enorme, com Engenharia, Direito, Medicina, Farmácia. Monte Carmelo tem uma demanda em Educação Física e, em Patos de Minas, há uma demanda forte para o curso de Teatro.
Mas, para abrir um curso, há todo um processo. Precisamos da demanda da sociedade por um tipo de profissional, aí uma unidade acadêmica tem de manifestar o interesse no curso. Assim, temos de elaborar um projeto pedagógico, levar ao Ministério da Educação (MEC) para termos a sinalização de que teremos os recursos necessários para a construção de novos prédios, bibliotecas. Depois, a proposta tem de ser remetida ao Conselho Universitário, chegar a um decisão, para que, enfim, seja possível implantar o curso. É uma trajetória que dura, no mínimo, um ano e meio.
CORREIO: Foi noticiado recentemente que o Conselho Universitário vai decidir, ainda neste mês, a adesão ou não à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que será responsável pela administração dos hospitais universitários de todo o país. O senhor acredita que a adesão à Ebserh é mesmo o caminho para melhorar o atendimento no HC-UFU?
Alfredo: Quero deixar muito claro, eu sou a favor da Ebserh. Eu entendo que ela é uma saída que foi muito bem pensada para resolver os problemas dos hospitais universitários. O projeto foi votado e aprovado com ampla maioria no Senado e na Câmara dos Deputados, diante do clamor dos administradores dos hospitais. Isto porque temos uma ordem do Tribunal de Contas da União (TCU), que manda, é imperativo que as fundações de apoio aos hospitais demitam os seus 26 mil funcionários. Aqui em Uberlândia, temos na Faepu [Fundação de Apoio, Estudo e Pesquisa de Uberlândia] 1.350 servidores, mas, mesmo assim, temos uma ordem para que sejam demitidos. Se fizermos isto, nós teremos que fechar metade dos atendimentos do HC. Não cumprimos a determinação ainda, porque o TCU deu um prazo para que o governo federal pudesse apresentar uma solução, que foi a empresa, e agora temos um prazo para que possamos aderir a ela.
A empresa vem para tratar de forma digna o funcionário, o professor e o aluno que fazem atendimento à pessoa. Sou favorável à empresa, não vou impor nada, pois quem define isto é o Conselho, e não tenho medo nenhum de que a universidade possa perder sua autonomia e qualidade de atendimento. Não tem nada de privatização, a Ebserh é uma empresa pública, de capital público.
CORREIO: O orçamento da UFU pode chegar, até o final do ano, a R$ 1,1 bilhão. Diante dos quadros de expansão da UFU, como fazer para o repasse de recursos não estagnar e continuar crescendo ano a ano?
Alfredo: Com competência em elaborar e executar projetos com alcance, que envolvam ensino, pesquisa e extensão. No passado, muito recurso chegava à UFU, mas, como o projeto não era executado, o dinheiro tinha de ser devolvido. Na nossa gestão, não devolvemos nada. No ano passado, tivemos R$ 960 milhões de repasses e só devolvemos R$ 1,9 mil. O que é preciso é apresentar projetos sustentáveis ao governo, técnica e socialmente falando, pois o que todo governo quer é resultado.

Perfil do candidato

Chapa UFU sem Fronteiras – A Mudança Continua

Reitor: Alfredo Júlio Fernandes Neto, 60 anos
Natural de Uberlândia
Graduado em Odontologia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Professor titular e docente permanente do programa de pós-graduação
Foi diretor da Faculdade de Odontologia por duas vezes
Eleito reitor em 2008
Vice-reitor: Darizon Alves de Andrade
Natural de Monte Alegre de Minas
Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Professor titular e docente permanente do programa de pós-graduação
Foi coordenador do Programa de pós-graduação em Engenharia Elétrica por 8 anos
Eleito vice-reitor em 2008

Série de entrevistas

25/6 – Chapa “UFU Sem Fronteiras” – Alfredo Júlio Neto e Darizon Alves de Andrade
26/6 – Chapa “Ética, autonomia e compromisso democrático” – Elmiro Resende e Eduardo Nunes Guimarães
27/6 – Chapa “ParticipAção” – Guimes Rodrigues e Helvécio de Oliveira Cunha
28/6 – Chapa “Todas as Vozes: Democracia, Qualidade Acadêmica e Compromisso Social” – Rosuita Fratari Bonito e Mauro Marques Burjaili
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